sábado, 5 de dezembro de 2009

Inscrição para um tapume

Desejo tudo quando nada quero.
Estar longe é o meu modo de estar perto.
Por mais que invente, sempre sou sincero.
Quanto mais sonho, mais estou desperto.

Lêdo Ivo, em O soldado raso

Elis Regina!!!



Maravilhosa apresentação de Elis Regina em 1972.
Até onde dá para perceber, parece que é um programa da RAI italiana.

(com Elis, até bossa nova fica bom!)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Qual a coisa mais importante do mundo?

Clarice Lispector: Hélio, diga-me agora, qual a coisa mais importante do mundo?
Hélio Pellegrino: A coisa mais importante do mundo é a possibilidade de ser-com-o-outro, na calma, cálida e intensa mutualidade do amor. O Outro é o que importa, antes e acima de tudo. Por mediação dele, na medida em que recebo sua graça, conquisto para mim a graça de existir. É esta a fonte da verdadeira generosidade e do autêntico entusiasmo – Deus comigo. O amor ao Outro me leva à intuição do todo e me compele à luta pela justiça e pela transformação do mundo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Stevie Wonder em Vila Sésamo!!!



Stevie Wonder + Superstition + Vila Sésamo = alegria total!

Reparem no garotinho de blusa laranja dançando amarradão no alto da varandinha! ;-)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Jeff Buckley em "Hallelujah"



Maravilhoso.

E para quem não conhece: em 1997, aos 31 anos, Jeff Buckley morreu afogado no rio Wolf, afluente do rio Mississipi.  Músico fantástico, merece ser conhecido.

Valeu, Estela!

Mapa astral

Há registro de alguém que tenha contrariado a determinação dos astros?
E se eu seduzir as cartas do tarô?
E se com as linhas da mão eu traçar outro caminho?
Sou humana, demasiadamente humana.
E hoje acordei com uma raiva danada de você.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009



Com efeito por momentos o silêncio é tal que a terra parece não ter quem a habite. Aqui está até onde leva o amor pelas generalizações. Basta não ouvirmos, no nosso buraco, durante alguns dias, outro ruído diferente do das coisas, para começarmos a julgar-nos o último exemplar do gênero humano. E se me pusesse a gritar? Não é que queira chamar as atenções sobre mim, mas só para tentar descobrir se há alguém. Mas não gosto de gritar. Falei baixinho, movi-me devagar, sempre, como convém a quem nada tem a dizer nem sabe para onde ir. Sem contar que pode muito bem não haver ninguém num raio de cem passos, e a seguir uma população tão densa que as pessoas andem umas por cima das outras. Ninguém se atreve a aproximar-se. Nesse caso esfalfar-me-ia em pura perda. Apesar de tudo vou tentar. Tentei. Nada ouvi de insólito. Sim, uma espécie de rangido escaldante ao fundo da traquéia como quando se tem azia. Com o treino talvez ainda acabe por fazer um gemido. O melhor seria dormir. Infelizmente já não tenho sono. De resto não devo dormir mais. Que maçada. Perdi o comboio.

Samuel Beckett, em Malone morre