domingo, 18 de abril de 2010

Folhas Secas



Uma das músicas mais lindas do mundo, por uma das vozes mais fantásticas do universo...
Elis Regina cantando Folhas Secas, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.
:-)

sábado, 17 de abril de 2010

O mundo que venci deu-me um amor















O mundo que venci deu-me um amor
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes encouraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado galopando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em cantos de vitória...

Mário Faustino (1930-1962)

(comemorando a reedição de O homem e sua hora)

segunda-feira, 12 de abril de 2010



Sensacional!














No peito, a manivela ferrugenta
que faz abrir a respiração
começou a emperrar
e o corpo aprendeu rapidamente:
o suor como se a roupa
fosse um antídoto.

O belo cavalo branco de cascos
impretéritos avançou
então
pelas vértebras
mas não impediu que a imagem
fosse real.

Cordas de piano
por onde trepam os assassinos
e onde por vezes
se enforcam
antes de alcançarem a janela,
o repto impune dos que dormem:
vela-me.


Vasco Gato, em Omertà.

Mais um poeta português descoberto no ótimo As folhas ardem.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Antropofagia
















Eu me alimento de gente
É minha espécie humana




(com o desenho de Thèodore de Bry, século XVI)

sábado, 3 de abril de 2010

Já que é Páscoa...



Trecho final do filme Easter Parade (1948), com Fred Astaire e Judy Garland, direção de Charles Walters e música de Irving Berlin.

:-)

Eu sou trezentos

















Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pireneus! Ôh caiçaras!
Se um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

Abraço no meu leito as melhores palavras,
E os suspiros que dou são violinos alheios;
Eu piso a terra como quem descobre a furto
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta,
Mas um dia afinal eu toparei comigo…
Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo

Mário de Andrade